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terça-feira, 3 de abril de 2012
domingo, 28 de agosto de 2011
Eu e a noite
Estranho, mas depois de muitos anos sem escrever sobre mim, hoje, mais precisamente agora, senti necessidade disso. A minha vida superficial está me incomodando. Somente uma parte de mim que está me proporcionando a intensidade da minha dedicação e despertando todos os dias sentimentos verdadeiros no que diz respeito à realização pessoal.
Mas e daí, o resto? Confesso seriamente que até nas novas amizades estou com dificuldades de me entregar, e algo me diz que há anos, muitos anos levo minhas amizades de forma superficial. Sou verdadeira com todos mas não consigo deixar que me conheçam completamente. Até da minha família eu fujo.
No fundo mesmo, acredito que sou eu que fujo de mim mesma.
Estranhe, o que me levou a refletir sobre essas coisas foi um filme que nada diz sobre o assunto. Houve somente uma frase despertou esta súbita reflexão: "querer algo pela metade por medo de que o conheçam por inteiro". Daí eu comecei a pensar na minha inexistente vida amorosa, que só é inexistente por eu ter medo, e então eu fui mais além nos meus pensamentos, eu não deixo ninguém querer tentar entrar na minha vida na parte amorosa. Estou vivendo frequentemente casos ou rolos esporádicos sem nenhum sentido.
E é estranho por que eu espero intensidade do parceiro comigo, me pego fantasiando, chega a ser engraçado. Há até algumas investidas da minha parte para que seja algo mais duradouro. Entretanto tudo sem eu mesma ser intensa. Muito contraditório! Percebi isso somente agora.
Não sei o que é mais estranho. Há pouco me condicionei à uma situação que eu mesma desaprovo pelo simples fato de tentar esconder outra situação que eu estava evitando. Porém ao evitar um entrei noutro problema, é até hilário e louco.
Passei o dia, a noite e até agora na madrugada pensando numa pessoa. Contudo não tenho meu coração batendo mais forte por ele, não tenho as mãos suando quando ele chega perto, não tenho nem atração física. Simplesmente uma fuga que eu criei e ta me tirando o sono.
Mais engraçado ainda é que estou pensando em palavras a serem ditas para encerrar uma relação que teoricamente não existe. E eu sei, de forma muito bem clara, que isso é mais uma outra fuga, que isso provavelmente já é uma tentativa de não me entregar. Mesmo que eu tenha certeza de que não é a pessoa ideal para eu me entregar (esta certeza vem de conversas sinceras da parte dele) me dói ao pensar que estou fugindo.
Eis o que mais me deixou intrigada, talvez o fato deu não tratar quem me relaciono como alguém que, por um motivo ou outro, não seja o ideal é o que me faz agir com superficialidade. E não to dizendo desta pessoa específica, mas sim de todos os que já passaram na minha vida.
Sempre tive medo de agir como eu gostaria por sempre imaginar o que um ou outro poderia pensar. Logo eu! Mais uma vez contraditória àqueles que me conhece...
Emfim, havia um tempo que não refletia assim. Quero dizer que o causador de meus pensamentos desta noite já fez parte de muitas outras e eu sempre evitava. Usei de muitos subterfúgios para me manter perto e sempre muito distante, sempre eu, ele e a noite, só que hoje sou só eu e a noite com a companhia de minhas divagações...
texto de Silvia Mali
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